Diplomacia Peninsular e Operações Secretas na Guerra Colonial




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Colaboração com a entidade: Câmara Municipal de Cascais

22,00 €
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Stock: esgotado


Sinopse:

A diplomacia peninsular teve uma especial proximidade nos períodos bélicos que afectaram o Estado Novo e o Franquismo. Na Guerra Civil espanhola Portugal foi aliado indispensável para a vitória do Bando Nacional. Esse apoio manteve-se após a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial durante a chamada “questão espanhola”, o isolamento diplomático na sequência da condenação do Franquismo pela ONU. A partir da Guerra de Coreia, a situação começou a reverter pelas necessidades do bloco ocidental de contar com a Península Ibérica como uma unidade estratégica, o que levou a procurar uma integração indirecta de Espanha na NATO através da via portuguesa, produzindo-se depois o momento de maior confluência dos regimes ibéricos com o ingresso de ambos os estados na Assembleia Geral da ONU, em 1955. No decurso da Guerra Colonial e, em paralelo à “questão portuguesa” nas Nações Unidas, a diplomacia espanhola, ainda que a contragosto nalguns casos, saldou aquela dívida com um paciente trabalho obstrucionista às condenações de Portugal, a que se sumou um apoio discreto em terceiros países e uma cobertura total nos estados africanos onde Espanha tomou a seu cargo a representação dos interesses portugueses, quando se produziram cortes diplomáticos com Lisboa, no Egipto de Nasser, na Tunísia de Bourguiba e no Congo-Kinshasa de Mobutu. * * * * * * * * * * * * * O tema desta oportuna investigação diz respeito a um período, sem repetição equivalente no futuro imaginável, mas não previsível, da nação portuguesa. Em primeiro lugar, na sempre verificada circunstância de Portugal necessitar de um apoio externo para sustentar a sua posição de igual na comunidade das nações, e de procurar além fronteiras recursos para o desempenho do Estado e nível da qualidade de vida da população, o fim do Terceiro Império, de que o livro se ocupa, colocou um ponto final nessa política. (…) É lamentável que em todas as circunstâncias desse trajeto de séculos, cada um dos Impérios tenha chegado ao fim com o Estado em situação de debilidade e de falência. [Adriano Moreira (Presidente da Academia das Ciências de Lisboa)]

Índice:

Prefácio

Abreviaturas

Introdução

Capítulo I. A desigual realidade colonial de Espanha e Portugal

Capítulo II. Da unidade à disparidade peninsular ante o processo descolonizador
II.1. O desigual caminho da integração internacional no período do pós-guerra (1946-1955)
II.2. As primeiras consequências da entrada na ONU para os estados ibéricos
II.3. Da entrada conjunta na ONU à dissociação da política externa dos estados peninsulares (1956-1960)
II.3.1. A Guerra do Ifni e a política de prestígio de Castiella
II.3.2. A mudança na aritmética das votações na ONU, o Ano de África

Capítulo III. O desatrelar do comboio ibérico na descolonização (1960-1963)
III.1. As grandes resoluções da Descolonização. Dissociação de atitudes entre Portugal e Espanha
III.2. Abrem-se as três frentes da campanha internacional contra a política ultramarina portuguesa
III.2.1. A primeira frente: a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança da ONU
III.2.2. A segunda frente: as repercussões nas relações bilaterais
III.2.3. A terceira frente: os meios de comunicação e a opinião pública
III.3. Começa a era Franco Nogueira em Portugal. Desconfiança para com Espanha e pedidos de apoio
III.3.1. Revisão infrutífera da política externa portuguesa
III.4. A Igreja Católica espanhola também toma posições relativamente a Portugal

Capítulo IV. O nascimento da OUA, a descolonização da Guiné Equatorial e as suas consequências nas relações peninsulares (1963-1969)
IV.1. O nascimento da OUA, rupturas com Portugal e mediação espanhola
IV.1.1. Mediação espanhola na política ultramarina portuguesa e acordo tácito de cooperação na política multilateral
IV.2. As inquietudes portuguesas com a independência da Guiné espanhola e as posições peninsulares na guerra do Biafra

Capítulo V. O fim da era Castiella-Franco Nogueira. Agravamento da “Questão Portuguesa” e ajustamento nas relações peninsulares (1969-1970)
V.1. Impulso final para a descolonização, maiores dificuldades para o apoio espanhol e revisão dos acordos de actuação na ONU
V.2. A contenção das condenações a Portugal nos organismos especializados das Nações Unidas

Capítulo VI. A dupla face da entente tecnocrática. “Diálogo de varanda para varanda” na Península e divergência em África (1971-1974)
VI.1. A intensificação da campanha internacional contra a política ultramarina portuguesa e a posição espanhola

Capítulo VII. A cobertura diplomática espanhola no Egipto
VII.1. As relações de Portugal e Espanha no Egipto antes do corte de relações
VII.2. O corte de relações com Portugal e a assunção por Espanha da representação dos interesses portugueses no Egipto
VII.3. A discreta aproximação luso-egípcia à procura de um “Degelo construtivo”

Capítulo VIII. A defesa espanhola dos interesses portugueses na Tunísia
VIII.1. As relações luso-tunisinas desde a independência até à ruptura (1956-1963)
VIII.2. O corte de relações com Portugal e a assunção por Espanha dos interesses portugueses (1963-1966)
VIII.3. A crise da substituição dos diplomatas portugueses e as precauções espanholas (1966-1967)
VIII.4. Relançamento das relações luso-tunisinas e nova sintonia nas luso-espanholas (1967-1971)
VIII.5. A nova política bourguibista e o fim da Primavera Marcelista
(1971-1974)
VIII.6. O 25 de Abril, a descolonização e o fim da cobertura espanhola

Capítulo IX. Diplomacia e Operações Secretas no Zaire
IX.1. A presença diferenciada de Portugal e Espanha no Congo
IX.2. As relações triangulares entre o Congo, Portugal e Espanha
IX.2.1. As ambíguas relações durante a I República congolesa (1960-1965) 296
IX.2.2. As relações com o Governo Tshombé em Léopoldville (1964-1965)
IX.2.3. As redes de informação de Portugal no Congo-Léopoldville e as primeiras operações de desestabilização
IX.2.4. De Tshombé a Mobutu. Reposicionamento político e operações secretas no Congo-Léopoldville
IX.3. As difíceis relações luso-espanholas em Kinshasa durante a II República congolesa (1965-1975)
IX.3.1. As tensões entre os dois Congos e as tentativas de regresso de Tshombé
IX.3.2. O corte de relações e a assunção por Espanha da defesa dos interesses portugueses em Kinshasa
IX.3.3. Regresso português a Kinshasa. A embaixada oficiosa, uma delicada convivência luso-espanhola (1970-1973)

Capítulo X. As relações tentaculares de Lisboa e Madrid com Brazzaville e operações secretas no antigo Congo francês
X.1. O Governo de Fulbert Youlou, a secessão do Katanga e o desencadear da guerra em Angola
X.1.1. Início da instalação dos serviços de informações portugueses na África Central
X.2. Primeiro intento de aproximação Brazza-Léopoldville e queda de Youlou
X.3. O acosso permanente ao Governo Massamba-Débat (1963-1968)
X.3.1. A evasão de Youlou e as tentativas para derrubar Massamba-Débat
X.3.2. Os intentos de reposição de Fulbert Youlou no poder. A “Operação Barbarossa” e a necessidade de ampliação das redes de informação
X.3.3. O corte de relações do Congo-Brazzaville com Portugal
X.3.4. O exílio de Fulbert Youlou em Espanha e o operativo internacional contra o regime de Massamba-Débat
X.4. As operações contra o Governo Marien Ngouabi (1968-1974)
X.4.1. Nova intervenção internacional secreta no Congo. A “Operação BIKINI” e o frustrado golpe de Março de 1970
X.4.2. As novas redes de informações portuguesas em Brazzaville
X.5. Os últimos tempos de Youlou em Espanha e novas alternativas ao regime de Marien Ngouabi

Epílogo

Fontes e Bibliografia


A AUTORA:

María José Tíscar Santiago é doutorada em História. Tem exercido a docência em diversos Liceus de Espanha, Alemanha e França e no Instituto Espanhol de Lisboa. Iniciou a sua actividade de investigação trabalhando sobre as relações lusoespanholas durante o Marcelismo, e posteriormente, sobre o apoio da Espanha franquista ao Estado Novo durante a Guerra Colonial. Recentemente tem-se debruçado sobre as Actas do Conselho de Estado do período transitório 1974-1975, as quais vieram a revelar o papel dos diferentes protagonistas do processo histórico que conduziu à descolonização e que publicou no livro «O 25 de Abril e o Conselho de Estado. A Questão das Actas» (Edições Colibri, 2012).

Detalhes:

Ano: 2013
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 450
Formato: 16x23
ISBN: 978-989-689-277-7
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