Um Ranger na Guerra Colonial

Guiné Bissau 1973-1974 – Memórias de GABU




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Autoria: José Saúde

Sinopse:

A guerra colonial (1961/75) terá sido possivelmente o acontecimento mais marcante da sociedade portuguesa do Séc. XX. Foi-o, pelo menos, para a nossa geração, a minha e a do José Saúde. Estamos a falar de mais de um milhão de combatentes, portugueses, mas também guineenses, angolanos e moçambicanos (que estiveram de um lado e do outro da “barricada”). O seu desfecho levou não só à restauração da democracia em Portugal, com o 25 de Abril de 1974, mas também ao desmantelamento dum império colonial que verdadeiramente nunca chegou a sê-lo, e ao nascimento de novos estados lusófonos, a começar pela Guiné-Bissau, mais de cento e cinquenta anos depois da independência do Brasil (em 1822). ¶ Em contrapartida, não creio que Portugal, meio século depois, tenha feito ainda o balanço (global) de uma guerra que, contrariamente a outras no passado (por ex., invasões napoleónicas e guerras civis no Séc. XIX), se passou a muitos milhares de quilómetros de distância da Pátria, na África tropical. Portugal nunca fez o luto da guerra colonial (ou está agora a fazê-lo, lenta, tardia e patologicamente). [Luís Graça – fundador e editor do blogue ‘luís graça & camaradas da guiné’] ********************************************************* Falava-se da Guiné como o diabo foge da cruz. A guerra naquela província do Ultramar era terrível. Traçavam-se cenários mórbidos. A rapaziada comentava e a mensagem passava de boca em boca. Mas o destino contemplou-me e eu, tal como grande parte dos rapazes desses tempos, não fugi a esse fim. Fui e voltei tal como parti, restando resquícios de histórias que contemporizam o meu calendário de vida. ¶ Camaradas houve, e foram muitos, que já não usufruem, infelizmente, do prazer de partilhar momentos de convívio e narrar as suas histórias de vida. Uns, morreram em combate na densidade de um mato cerrado; outros, faleceram numa emboscada; outros, encontraram a morte em ataques aos quartéis; outros, fecharam definitivamente os olhos em famigerados rebentamentos de minas anticarro e antipessoal e, ainda, há aqueles que morreram em momentos de pura infelicidade. Desastres com viaturas militares ou armas de fogo, carimbaram o seu derradeiro fim. [José Saúde]

Índice:

Prefácio

Introdução

Agradecimento

Histórias de Gabu Antiga Nova Lamego
Tempos de guerra e de paz Os conflitos e a dedicação do povo
Gratidão
Piriquitos exploram o centro de Nova Lamego
Passeio na “5.ª Avenida”
Uma guerra que deixou marcas no tempo
“Filhos do vento”
A notícia infeliz da menina de Gabu
Morte aos 12 anos
Sexo na guerra
Tabu?
Os conflitos tribais e a ação da nossa tropa
A “psicó”
Lavadeiras: duquesas de militares ávidos de paixões amorosas
As suas presenças cativavam
Recordando o benjamim da minha Companhia
Alberto, um miúdo que irradiava simpatia
Dois guerrilheiros do PAIGC piraram-se da prisão de Gabu
A fuga
Natal de 1973: rescaldo de uma noite quente e de luar
A consoada
Batuque na tabanca e na messe de sargentos
Noite de descontração
A coluna que desafiava o imprevisto
Misto de prazer e medo
Morte estúpida na pista de aviação
Damásio, soldado exemplar
O homem da bicicleta
Tabanca à beira da estrada
As arquitetónicas fortalezas das formigas na Guiné
Bagabagas, castelos de defesa
A caminho da bolanha
Jornada de trabalho
Recordando o saudoso enfermeiro Dinis
Militar e amigo
Mário, antigo guerrilheiro do PAIGC
O impedido do comandante
O fula que conduzia a nossa tropa pelo interior da mata
Jau, o guia
Um povo com costumes natos
Mulher da tabanca
Futebol em tempo de pausa
Uma equipa de Gabu
Rapaz franzino, de reposta fácil e acertada
O Dias e a sua rebeldia
A mota da malta
Um brinquedo encantador
Descanso do guerreiro
Meditando
O rádio do nosso contentamento
Música para omitir a dor
Jaló, um milícia dúbio
Homem feito ao sistema
Uma ida ao matadouro de Gabu
Seidi, o magarefe
Bafatá, cidade acolhedora
Um olhar sobre o Geba
Festa no quarto
Momentos de lazer
O velho da tabanca revelava um saber ancestral
O homem grande e o seu cachimbo
Jovens da tabanca
Rostos de inocência
A mata e os seus mistérios
“Exército” de abelhas
Camaradas que separaram na Guiné
Pedro Neves foi para Binta, eu para Gabu
Ramos, furriel miliciano/ranger que desertou para o PAIGC
De Tavira à Guiné
Tempos de guerra e de cruéis condições para “putos” entregues ao destino
A morte de um camarada
Proteção avançada a um avião que aterrava na pista de Gabu
Uma tarefa prudente
Um poço no mato
Saciando a sede
Noite de petisco
Cabrito assado no forno
Companhia de soldados nativos jurou bandeira
Ronco no quartel
Deus, virtualmente presente
A fé na guerra
Efeitos da guerra
Ambulância apanhada ao PAIGC
Viaturas “bélicas” que percorriam os trilhos na Guiné
Unimog, uma máquina imparável
Um olhar sobre uma tabanca onde se arquitetavam sonhos
Crianças
Doença conhecida pelos camaradas que pisaram solo guineense
O paludismo
Saudades daquela nota esverdeada estampada com a figura de Nuno Tristão
50 pesos
Numa passagem por Bissau
“AO ESFORÇO DA PÁTRIA”
Prendas, rádios, bagatelas, tudo ali se comprava
O corrupio às lojas dos libaneses
O mundo é pequeno e as nossas recordações gigantescas
Vidas
Pássaros que esvoaçavam os céus da Guiné
Abutres
Visita a Madina Mandinga em tempo de paz
Passeio seguro à beira do capim
Memórias que o tempo jamais apagará
Recordando
Paredes impregnadas de imagens de mulheres
Um lavar de olhos em tempo de guerra
“Mansões” que acolhiam combatentes exaustos
A palhota
Imagens que nos tocam
O nosso quartel
Rui, oriundo dos choupais de Coimbra e afidalgado cavalheiro
Que é feito de ti, camarada?
Visita à piscina do QG, em Bissau
Uma ida a banhos
Stress pós-traumático de guerra: uma patologia irreversível
Incompreendidos e injustiçados
O “ventre” de um espólio raramente conhecido
Passagem de bens alimentícios em armazém
A revolta da população após a libertação pelas forças do PAIGC
Amarras do medo
Os estridentes sons que rompiam no horizonte
O Noratlas
Na cozinha da messe de sargentos
“Sermão aos peixes”
Da Restauração da Independência em 1640 à guerra na Guiné (1963/1974)
Batalhas em campos e tempos desiguais
Delegação do PAIGC em Bafatá
O tempo de afirmação
O fim da nossa presença na região de Gabu
A despedida
Noite de copos em Bissau onde tudo acabou à “molhada”
Uma cena que fez tremer o meu amigo Otílio
Mensagens Natalícias de antigos combatentes
Realidades de guerra
A “perícia” dos condutores enviados para a guerra na Guiné
Os homens do volante
Guiné, da escravatura à carne para canhão
Escravos e combatentes
Resquícios de uma guerra que nos fora cruel
Abandonados
As palavras escritas que deixaram marcas ao longo da guerra
Aerogramas
Gabu em 1999
Lembrando os artifícios em tempo de guerra
Três contos e novecentos que caíram numa emboscada
A guerra de além-mar
Calar é resignar
História
Quadro de mortos e feridos na guerra colonial
Memórias de um povo
Principais Etnias da Guiné-Bissau
Pequena biografia da Guiné-Bissau
Luta armada
Os difíceis caminhos da Independência
A minha máquina fotográfica Olympus
Obrigado pelas tuas imagens
Um ranger no momento em que apresentava o grupo ao capitão
Recordando
Os “milagres” do quarteleiro da minha companhia
A metamorfose do vinho batizado com água


*****


AUTOR

JOSÉ SAÚDE nasceu em Aldeia Nova de São Bento no dia 23 de novembro de 1950, todavia, o seu registo oficial de nascimento reporta-se a 23 de janeiro de 1951.
Desportivamente, iniciou a sua carreira futebolística no Despertar Sporting Clube e aos 16 anos ingressou no Sporting Clube de Portugal. Como jogador sénior representou o Desportivo de Beja, o FC Serpa e em 1974 foi um dos grandes impulsionadores do futebol de competição na Aldeia Nova de São Bento ao reativar a atividade no Clube Atlético Aldenovense.
Iniciou-se no jornalismo com o jornal desportivo “O ÁS”, em Beja, sendo, a partir de 2000, seu diretor e assumindo também o comando do pelouro desportivo da Rádio Voz da Planície durante 11 anos. A nível nacional foi colaborador do jornal “A BOLA” e no JN - Jornal de Notícias na área desportiva.
Em 2006 estreou-se na TV Beja (televisão por internet), sendo responsável pela área desportiva e em agosto de 2008 integrou o Departamento Desportivo do Diário do Alentejo, órgão no qual se mantém como colaborador.
Em maio de 2009 foi galardoado pela Câmara Municipal de Beja com o Diploma de Medalhas e Insígnias Municipais – Mérito Grau “Prata” – e em junho de 2015 foi distinguido com o Diploma de Sócio Honorário da Associação de Futebol de Beja.

Detalhes:

Ano: 2019
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 220
Formato: 23x16
ISBN: 9789896899158
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