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Sujeito e Passividade

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O longo processo de questionação do sujeito, que vem, pelo menos desde Nietzsche e ocupou muitos dos esforços da filosofia no século XX — ontologia heideggeriana, positivismo lógico, estruturalismo nomeadamente à maneira de Habermas —, esse longo processo encontrou na crítica dessa configuração de um sujeito forte a sua legitimidade.

De facto, o intento de destituição do sujeito fomentou uma história do sujeito, cuja avaliação importa fazer. Assim, em termos metodológicos, a problematização da configuração do sujeito/fundamento vai a par com a avaliação crítica do processo de questionação do mesmo.

A investigação incidirá, desde logo, sobre a aparição matricial do sujeito na instauração da modernidade com o cogito cartesiano. Na esteira do trabalho de D. Kambouchner, entre outros, intenta-se apurar até que ponto e sob que formas a passividade é originariamente constitutiva do sujeito, pertencendo ao seu estrato fundador.

A hipótese orientadora da investigação é a de que a passividade não advém ao sujeito como algo que se lhe acrescente, mas pertence à sua própria instauração. Essa passividade exprime-se no corpus cartesiano de diversas formas. Antes de mais, é ela que marca o estilo de referência a si do sujeito.*

A inteligibilidade médico-filosófica e muito particularmente o esforço de pensar a subjectividade enquanto traço fundador do acto médico, na formulação de Manuel Silvério Marques, revelou-se como uma linha de investigação imensamente fecunda e em larga medida estruturante do trabalho desenvolvido.

O projecto visava abrir um espaço de debate e experimentação de ideias, o que foi realizado através da organização de seminários em que, além das sessões em que a investigação em curso foi submetida a prova, foram convidados investigadores com obra reconhecida nas áreas temáticas do projecto e que contribuíram decisivamente para o êxito da iniciativa. Neste âmbito, apraz-nos evocar a colaboração de Michel Henry, Denis Kambouchner, Quintín Racionero, Fernando Gil, António Coimbra de Matos, Manuel José do Carmo Ferreira, Diogo Pires Aurélio e Armando Mónica de Oliveira.

Adelino Cardoso
José M. de Miranda Justo

Número de páginas: 324
1.ª edição: Dezembro de 2003
Livro em colaboração com o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa

REF: 9789727724321 Categoria:

Organização da obra:
Adelino Cardoso
José M. de Miranda Justo

Peso 0,350 kg
Dimensões (C x L x A) 1,8 × 16 × 23 cm

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