Evocando Fernando Pessoa – Crónicas publicadas no Jornal Eco de Estremoz
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Peixoto Bourbon foi para Lisboa e começou a frequentar o curso de Agronomia em 1927. No segundo ou terceiro ano do curso, por volta de 1929-30, com cerca de 22 anos, conseguiu ser admitido como membro benjamim da tertúlia do Café Montanha, na Baixa de Lisboa. Ali costumavam parar Fernando Pessoa e vários dos seus amigos ou confrades das lides literárias e artísticas, além de comerciantes da zona, médicos, advogados e proprietários agrícolas alentejanos. Situado na esquina da Rua da Assunção com a Rua dos Sapateiros, o Café Montanha era poiso habitual de Pessoa desde pelo menos 1914. Foi num encontro nesse café que, em Fevereiro de 1915, Pessoa, Luís de Montalvor e Mário de Sá Carneiro decidiram lançar a revista Orpheu. Foi também lá que, quinze anos mais tarde, Pessoa se encontrou pela primeira vez com João Gaspar Simões e José Régio.
No espólio do poeta, na Biblioteca Nacional, acham-se diversas notas e textos manuscritos em papel timbrado do Café Restaurant Montanha. O Café Montanha será muito frequentemente o cenário destas evocações pessoanas de Peixoto Bourbon, que ali conviveu durante cerca de cinco anos com o poeta e de quem se tornou grande admirador e amigo. O testemunho de Peixoto Bourbon destaca desde logo o papel que esse café teve na vida quotidiana de Pessoa, embora nos tenhamos habituado a ver o poeta associado preferencialmente ao Martinho da Arcada, ao Café Martinho, às Brasileiras do Chiado e do Rossio ou ao Restaurante Irmãos Unidos.
[José Barreto].
O engenheiro agrónomo Francisco de Paula Peixoto da Silva Bourbon (1908-1992) nasceu no seio de uma família da nobreza do Minho, sediada desde o século XIX na Casa de Melhorado, perto de Celorico de Basto. Concluiu os seus estudos em Lisboa, no Instituto Superior de Agronomia, tendo-se notabilizado principalmente na vida profissional como técnico de olivicultura.
Foi funcionário superior do Ministério da Agricultura, exerceu cargos na Junta Nacional do Azeite e na Junta Nacional dos Lacticínios da Madeira e leccionou também em Agronomia. Deixou sobretudo obras de índole técnica, mas no ano da sua morte foi publicada uma edição bilingue do poema pessoano Inscriptions com uma introdução da sua lavra.
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