São as exigências quotidianas que impelem as pessoas a deslocar-se numa pressa cega, que as alheia do importante, levando-as a ignorar a simplicidade da beleza de cada dádiva, incapazes de notar a sensibilidade, que apenas se encontrará na busca incessante, na oportunidade do momento, ou na alegria da descoberta.
Na procura de alcançar outros espaços, outras paragens, ninguém fica indiferente ao comboio, que transporta o tempo e nos transporta no tempo, para nos proporcionar sensações incríveis, como a contemplação de belíssimas paisagens, o “toque” de outras vidas, ou o escutar do som da cadência da sua marcha, levando-nos a desfrutar da plena singularidade dos encantos que nos pode oferecer. É lindo ver cada estação branquíssima, realçada no lambril de pedra de cantaria, no enfeite de embelezados jardins floridos, ou nas linhas que a continuidade distancia, ou até no porte compenetrado e diligente do chefe da estação.
Sobretudo, o efeito do som do apito do comboio é algo demasiado mágico para os nossos corações, como clarim celestial que dá brado e comanda, cântico que eleva, faz voar, para nos levar e transportar mais além. Abertura e anúncio de festa, para descobrir horizontes marcantes de humanidade ou de relacionamento ímpares.
Foi assim, marcado por situações repletas de experiências da vida ferroviária, de atitudes espontâneas e surpreendentes, com as quais se deparava no trabalho e em deslocações, que esta vivência transmitiu ao Lourenço tantos sonhos de encantar, permitindo, deste modo, que possam ser contadas algumas dessas passagens e histórias.
Número de páginas: 164
1.ª edição: Setembro de 2026
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