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À Descoberta das Américas – Nós dois embarcados numa combi VW. Diário de bordo – 50 e tal anos depois

O preço original era: 20,00 €.O preço atual é: 18,00 €.

A viagem transcontinental em Lola teve início em setembro de 1974, e nela descemos até Seattle, no estado de Washington, seguindo-se Nevada e Califórnia – quando então eu me dediquei a anotar a nossa aventura, em forma de diário, que aqui segue, enquanto o Chris conduzia… (…) Ah, sim, mas muito antes de todos aqueles trajetos e vivências já eu viajara desde a Europa, embarcada no porto francês de Marselha no navio “Pacifique”, da companhia “Messageries Maritimes”, para ir desembarcar um mês depois na Ásia, em Colombo, capital ceilonesa, em finais de junho de 1969, para me ir reencontrar com o Chris. E desde o meu embarque em Marselha até ter chegado a Colombo, eu havia contornado África, no Cabo Bojador (que Gil Eanes dobrara em 1434).

***

Depois de Unduavi (a 3.212 metros de altitude – já a um nível mais baixo do que a cidade de La Paz), subimos mais um pouco, para então começarmos realmente a descer. E agora isto já não é uma viagem em espaço geográfico, mas em tempo meteorológico, uma entrada brusca no verão. Gradualmente, a aridez do altiplano a dar lugar à vegetação, em breve tropical e, aos poucos e peça a peça, termos de nos despojar de camisolas, meias, sapatos – até já estou envergando os meus velhos jeans mais frescos, de algodão, blusa sem mangas, sandálias. E progressivamente, sem aviso e sem nos termos dado conta, os iniciais indícios de estio: borboletas! Sendo as primeiras negras e muito brilhantes, para logo as seguintes se colorirem de branco, cor-de-laranja, amarelo; e, de início, bananeiras raquíticas, seguindo-se as laranjeiras e os bananais bem fortes e viçosos. Sem falar nos cheiros: de terra quente, flores, folhas ao sol, água corrente – que também parecem circular no meu sangue, e aí adensar-se. Odores de sensualidade, de alegria, fragrâncias de verão: das cores vermelha ou amarela, de pássaros, árvores, de animais escondidos à sombra e entre a ramagem do arvoredo. Além de flores, que nas floristas da Europa se compram tão caras e em caixas de plástico, com um laçarote a fechá-las, ou plantas em vasitos, de dois palmos de altura, porém de dois metros de preço – e que aqui crescem selvagens, bravias, gigantescas de seiva e exuberância à beira da estrada, em encostas verdejantes, e de graça para quem as quiser colher.

REF: 9789895666362 Categoria:

Autora: Maria do Vale Cartaxo, nascida em Portimão, menina e moça partiu de casa de seus pais para estudar no liceu de Faro e na universidade de Lisboa, e logo sentiu o anseio de sair do lar pátrio e ir mais longe – não se contentando com pouco, deu a volta ao mundo e navegou pelos oceanos Atlântico, Índico, Pacífico e outros mares. Fazendo toda a rota marítima dos antepassados descobridores, contornou o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, com paragens no Senegal, África do Sul e Quénia, aportou em Bombaim, ancorou no Ceilão, arribou em Malaca, navegou até Macau, viajou por Taiwan e desembarcou em Nagasaki, no Japão. Sobre duas rodas, cavalgando uma mota com o seu marido Christopher Gosden, um inglês também sedento de aventura, percorreu milhares de quilómetros desde Singapura, através da Malásia e da Tailândia, até ao Laos e Camboja. Posteriormente, viveram e viajaram por terra durante um ano e meio, numa pequena caravana “pão de forma” VW, por todo o continente americano, desde o Canadá ao Chile, cruzaram a Argentina e fixaram-se no Brasil. Para lá de todos os lugares que conheceu em quatro continentes, dos Alpes aos Andes, dos glaciares canadianos ao deserto de Atacama e à floresta amazónica, a autora morou em Salzburg, Colombo, Bangkok, Hong Kong, Tóquio, Porto Alegre e Rio de Janeiro, onde trabalhou em missões diplomáticas, empresas multinacionais, escolas e como tradutora free-lance. Depois de regressar à sua terra, passou a residir perto de Alvor, com vista para o mar que tanto ama. Foi a primeira agraciada com o Prémio Manuel Teixeira Gomes, instituído pela Câmara de Portimão, em 1999, com o conto “A viagem” e, depois disso, foi também premiada em 2002 com a novela “O legado de Mrs. Baker” e, em 2006, com o conto “O sétimo dia”. Publicou ainda os romances “Três diários de bordo em rota de naufrágio”, em 2003; “O dia não”, em 2008; “Outrora eu era daqui”, em 2017; “No Comboio Ascendente”, em 2018 e “Crónicas dum Naufrágio Anunciado”, em 2020.

Peso 0,850 kg
Dimensões (C x L x A) 3,5 × 16 × 23 cm

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