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O Embaixador do Oriente David Reubeni

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David Reubeni visitou Portugal em 1525-1526, numa conjuntura difícil para os cristãos-novos que viviam no reino, em que se apuravam indícios sobre a sua cripto-religiosidade judaica. As consequências da sua viagem a Portugal reforçaram o apelo de D. João III para o estabelecimento da Inquisição, dez anos mais tarde, sendo a mais gravosa a “conversão” ao judaísmo de Diogo Pires, escrivão dos ouvidores da Casa da Suplicação. Mesmo fugindo este para o Império Otomano, o destino dos dois homens – David Reubeni e Diogo Pires, que tomou o nome de Salomão Molcho – está inexoravelmente interligado.

A entrada de um homem de nome David, que se dizia um príncipe de um reino situado num deserto, enviado pelo soberano José, seu irmão, e desfraldando bandeiras onde estavam escritos, em hebraico, os Dez Mandamentos, só podia ter provocado convulsões em ambos os meios de cristãos-novos e cristãos-velhos. O próprio Reubeni salienta o seu bom acolhimento pelos conversos de Tavira, o que espelha o esplendor da comunidade judaica local, antes da conversão de 1497 e mesmo após esta.

O seu acolhimento por parte de D. João III só pode ser entendido por ser uma personagem protegida por Clemente VII, papa do Renascimento. Mas não obstante esta atitude benévola do rei português, as peripécias da estadia de David Reubeni vão provocar a sua saída do reino em 1526. O percurso posterior de Reubeni e a sua união com Salomão Molcho, na Itália, oferecem- nos as chaves para os verdadeiros motivos das suas deambulações e da sua permanência nos reinos de Portugal e do Algarve.

A “dupla” morte de David Reubeni pelas Inquisições de Llerena e de Évora, repectivamente em 1538 e em 1542, é mais outro dos mistérios que envolvem esta personagem, cujo protagonismo, unido ao do místico Salomão Molcho, permaneceu na memória dos meios conversos.

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(…) A maioria desses convertidos, sobretudo os menos acaudalados ou os que receavam pelo seu destino fora da Europa cristã, ficaram e passaram a ser conhecidos como “cristão-novos”, como forma de identificação face aos cristãos de nascimento, ou seja, os “cristãos-velhos”. Foi com esta população de antigos judeus com que David Reubeni se deparou aquando da sua visita a Portugal, em 1525-1526. (…)

REF: 9789895665907 Categorias: , ,

José Alberto Rodrigues da Silva Tavim é doutor em Estudos Portugueses pela Universidade Nova de Lisboa e Investigador Sénior e Professor no Centro de História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, bem como membro colaborador do Centro de Investigação CIDEHUS, na Universidade de Évora. É ainda coordenador do seminário “Os Judeus em Portugal e na Diáspora”, na Universidade de Lisboa, membro do Executive Board da Society Sefarad, e foi convidado para integrar o Conselho Científico do Museu Judaico Tikva, de Lisboa.

É autor de dois livros e de mais de 60 artigos e capítulos. Juntamente com a falecida professora Maria Filomena Lopes de Barros fundou Hamsa: Revista de Estudos Judaicos e Islâmicos. Publicou em editoras como Garnier, Brill e Palgrave, entre outras; e em revistas como Jewish History, Mediterranean Historical Review, Journal of Early Modern History, Oriente Moderno, European Judaism, Anais de História de Além- Mar, Ler História e Studia Rosenthaliana. Últimas edições: More than Homesickness. Minorities and the Transference of Goods in the Mediterranean (1492-1956) (com Hugo Martins), Évora, CIDEHUS, 2024; Homesickness around the Mediterranean, 1492-1923 (com João Teles e Cunha), Nova Iorque, Palgrave, 2005.

Peso 0,150 kg
Dimensões (C x L x A) 1 × 15 × 21 cm

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