Sale!
,

Navegar nas Memórias – Estórias de Marinhagem e Outras

O preço original era: 16,00 €.O preço atual é: 14,40 €.

Abril – O Grito da Liberdade
Nós, militares de Abril, comandados na madrugada libertadora, «meninos homens que nunca foram meninos», vindos das azáfamas dos campos onde o trabalho, por vezes, minguava, e em contrapartida aumentava a fome, ou das fábricas de trabalho duro, marcadamente explorador. Tínhamos cá dentro o nosso grito contido que vinha de fora, dos nossos pais, herdeiros dos servos da gleba, explorados pelos grandes senhores da terra e oprimidos por uma política fascista e por uma igreja, desajustada e apoiante, que depois de uma vida de trabalho nada tinham de seu, nem as necessidades mais básicas. O grito que nos ecoava cá dentro daqueles que resistiam nas prisões, não do grito enquanto torturados, mas do grito que lhes chegava como se viesse de fora para dentro, pela dignificação de um povo.

Nós, que víamos os nossos camaradas de armas morrerem ou ficarem estropiados para o resto da vida, numa guerra injusta e sem sentido contra povos também nossos irmãos no seu grito pela liberdade. Nessa madrugada libertadora, o grito contido que já tanto tardava foi mais forte, mesmo perante algum medo que tivéssemos sentido.

DIA DE SÃO JOSÉ, O CARPINTEIRO, DIA DO PAI: OS ABRAÇOS
Quando o meu pai voltava do trabalho, eu corria pelo longo corredor de casa, trambolha aqui, trambolha acolá, e ia-me abraçar às suas pernas. Depois dos abraços felizes e velosos, de tempo veloz, sem nos darmos conta, ficaram apenas os abraços de chegadas e os abraços de partidas.
Nas chegadas, com um sorriso de felicidade que se mantinha por mais ou menos tempo, conforme a minha resposta à sua pergunta: «quando é que tens de te apresentar?»
Nas despedidas, uma lágrima que teimava em chegar e teimava em partir. Mais tarde, entre chegadas e partidas de outras chegadas, de outras partidas, o seu caminhar feliz com as netas de mãos dadas…
Vida tão curta para uma já longa ausência na minha vida.
Vida tão curta para demasiadas saudades e para tão poucos abraços.
UM ABRAÇO PAIZINHO.

Número de páginas: 216

REF: 9789895665617 Categorias: ,

Manuel Gonçalves de Carvalho nasceu na aldeia de Brogueira, concelho de Torres Novas, a 20 de Maio de 1947.

Tirou a instrução primária na Escola Voz do Operário e o 1.o Ciclo na Escola Secundária Francisco de Arruda, ambas em Lisboa, tendo depois completado o Curso Industrial na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas. Mais tarde, na Escola Naval, finalizou o Curso de Ciências Militares Navais, de acesso a Oficial Técnico.

Ingressou na Marinha de Guerra Portuguesa, em Outubro de 1964, onde se especializou em Máquinas Marítimas e foi promovido a Segundo Sargento Maquinista Naval, em Junho de 1968. Passou à Reserva no posto de Capitão-tenente.

Na revolução de Abril, pertenceu ao Movimento das Forças Armadas (MFA). Sempre teve vontade de escrever, mas só na Escola Naval, com o incentivo da sua Professora de Português, Doutora Maria Maia, resolveu fazê-lo e também por todos os incentivos que recebeu de muitos amigos. Foi no Facebook que publicou muitos destes textos, daí a razão de serem textos curtos, a fim de abrangerem todas as suas preocupações sociais.

Peso 0,300 kg
Dimensões (C x L x A) 1,4 × 16 × 23 cm

Avaliações

Ainda não existem avaliações.

Seja o primeiro a avaliar “Navegar nas Memórias – Estórias de Marinhagem e Outras”

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Também pode gostar…

Shopping Cart
Scroll to Top